Diário – Queria ser Caracol

É domingo de Páscoa. Não me lastimo por nadinha. Está sol, o ar vem morno da janela, o silêncio deixa-se mais atenta aos sons invisíveis e estou longe de estar longe dos meus amigos. Eles estão todos muito perto, basta usar uma das quaisquer plataformas e estou em contato. Mando mensagem, respondo mensagem e admiro o verde do campo. E penso na nossa situação. Li com respeito e muito orgulho a notícia de que vários têm sido os elogios feitos a Portugal pela forma como conseguimos controlar as possíveis curvas e contracurvas desta crise sanitária. Também não passou despercebida ao resto do mundo a forma ordeira e civilizada como seguimos as recomendações de prevenção.

Foto de Olga Cavaleiro

Na verdade, sinto que este país tantas vezes criticado pela sua dificuldade em gerir as contas públicas e posto na cauda da Europa mostra, na situação atual, eficácia na atuação pública, privada e social. Podemos ter todos os defeitos do mundo, mas estamos a ir bem. Alinhados e focados na resolução do problema. Nem sei se esta boa atuação das autoridades e da sociedade não nos irá ajudar no futuro a recuperar a nossa situação cimeira no turismo. Se passarmos uma imagem de ação eficaz iremos dar confiança aos potenciais clientes do turismo nacional.

Na hora da decisão do próximo destino de férias iremos parecer uma boa solução pelo que soubemos fazer. Ao contrário do que tantas vezes fizeram soar sobre nós, sabemos o que e como fazer quando confrontados com uma situação anormal. Ainda estamos longe de saber o desfecho de toda esta situação, mas o que conseguimos mostra organização e coerência na ação. Por isso, ainda que a recuperação não seja imediata e que a precaução obrigue a que as pessoas permaneçam nos seus países, tenho esperança de que o restabelecimento da ordem nos traga boas novas e muitos turistas.

Afinal, não deixámos má impressão. Antes pelo contrário, soubemos cativar pelo profissionalismo e pelo bem receber tão natural em nós. Soubemos acompanhar todas as tendências e requalificar os serviços tradicionais. Não fizemos as coisas atabalhoadamente, mas fomos exemplo. Por isso, vale a pena acreditar. Não que vamos voltar ao que era antes, afinal isso seria impossível, também nós mudámos.

Mas tenho a certeza de que com a rapidez e versatilidade que soubemos reagir, também iremos responder aos desafios que se forem desenhando. O mundo vai mudar, mas as necessidades de fazer turismo não vão desaparecer. E nós estaremos cá, prontos para receber e para mostrar a nossa gastronomia. Tenho a certeza que sim. Vamos acreditar. 

É domingo de Páscoa e na minha caminhada pelo campo encontro um pequeno caracol a dormir nas pétalas de uma linda flor amarela. Como resistir ao azul do céu e ao calor do sol? Queria ser caracol.   

Texto publicado no site: https://etaste.pt/ # resistir 2020

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