Apresentação

Ao Sabor das minhas viagens por Portugal conheço muitos dos cantos da nossa paisagem. Do planalto feito de pedra onde o sol repousa ao anoitecer à planície verde e arejada, do mar que se encosta ao olhar aos socalcos preenchidos pelos frutos da terra, encontro os pormenores de tantas geografias. Pelo caminho, descubro os risos e os lamentos de rostos calados pela tranquilidade, faço perguntas aos rios e às montanhas e percebo a cor do céu e a força da luz. Chego à mesa sempre pela mão dos amigos. 

É um Portugal que descubro ao sabor de histórias que vêm de longe e trazem consigo toda a força de uma família, de uma comunidade, de gente que fez da alimentação símbolo para mostrar a sua interpretação do mundo. E é isso que a gastronomia portuguesa tem de belo. Mostra-nos no excesso da festa e na escassez do quotidiano o sentir das pessoas. Não é só o alimento, mas o seu significado. E este é o primeiro passo para descobrir a razão de existência de cada receita, de cada produto. Mimo feito oferta de alguém para alguém, vínculo nobre e forte. Por isso, é a gastronomia tão forte no sabor.

Olga Cavaleiro – Ao Sabor de Portugal
Não sei onde irei encontrar o fim do novelo, mas sei que irei aproveitar cada momento da viagem e irei partilhá-lo convosco.

Ao Sabor de Portugal, irei à descoberta do novelo que trouxe até nós as receitas e os produtos. Irei desenrolar o novelo e fazer a viagem até ao profundo da alimentação que nasce sempre com uma intenção. Perceber as pessoas e a sua ligação ao lugar, entender a sua fome de sabor e a cozinha como lugar de oferta vai levar-me por várias viagens. Não sei onde irei encontrar o fim do novelo, mas sei que ao sabor de uma conversa, de um paisagem ou de um simples olhar, irei encontrar as linhas que fazem a identidade da cozinha nacional.

Espero a vossa companhia nesta viagem Ao Sabor de Portugal.

Olga Cavaleiro
Viver na liberdade da expectativa, no entusiasmo da descoberta, no seguir o rio curva após curva, no pôr-de-sol que se esconde para além do planalto. Viver segundo a emoção. Viver #semanualdeinstruções.

Olga Cavaleiro – Ao Sabor das viagens e do tempo das conversas, descubro o nosso Portugal.

Olga Cavaleiro nasceu em 1971 em Tentúgal, Montemor-o-Velho. É licenciada em Sociologia pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Em 1996 concluiu o Curso de Pós-Graduação em Direito da Comunicação na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, concluiu em 2018 o Mestrado Alimentação, Fontes, Cultura e Sociedade da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra com a nota final de 19 valores pelo trabalho: Portugal Gastronómico: a gastronomia portuguesa e as cozinhas regionais.

A sociologia ensinou-me que era possível descobrir o mundo através da minha janela. Aprendi a olhar os outros pelo que eles me diziam e não pelo que eu pensava. Pelas viagens descobri um Portugal pleno de pronúncias alimentares onde a mesa tem as marcas da geografia e é ponto de chegada de uma história da fome e da abundância. Fascinada pelas diferenças das cozinhas regionais, quero ir ao encontro das singularidades que constroem linhas invisíveis que atravessam o território do nosso Portugal.


Adoro dar Aulas

Entre 1996 e 2000, exerceu funções de docente no Instituto Técnico Artístico e Profissional de Coimbra (ITAP) e no Instituto Superior de Ciências Educativas de Mangualde (ISCE). Ainda durante esse período exerceu a função de Socióloga no Serviço Sub-Regional de Segurança Social de Castelo Branco. No ano de 2001, responde ao apelo das origens e volta para Tentúgal onde assume a direcção comercial da Pastelaria O Afonso em Tentúgal. Após o desenvolvimento e expansão da marca Afonso, regressa ao ensino sendo responsável pelas áreas da história e cultura da gastronomia portuguesa em várias escolas de Hotelaria e Turismo da Rede Turismo Portugal. Em 2019, é convidada para lecionar no Mestrado em Ciências Gastronómicas, curso que resulta da parceria entre o Instituto Politécnico do Porto e a Faculdade de Ciências de Nutrição e Alimentação. Ainda em 2019, foi convidada para lecionar a UC Cultura e Gastronomia no âmbito da Pós-Graduação em Enoturismo.

Formadora em várias escolas de Hotelaria e Turismo descubro o prazer de contar as histórias entrelaçadas da cozinha portuguesa. Da geografia à história, a gastronomia como uma paixão a partir de uma sala de aula.

Escrever é o meu respirar

No decorrer do ano de 2015, escreveu semanalmente para a Revista Tabu do Semanário SOL, sendo que este conjunto de crónicas foram reunidas na publicação “A Minha Viagem por Portugal”, apresentada no dia 5 de Julho de 2016. Há dois anos a esta parte é cronista do diário regional “As Beiras” onde escreve quinzenalmente crónicas sobre o tema gastronomia. Recentemente, tem mantido uma relação de colaboração com o site etaste.

No âmbito das emissões filatélicas dos CTT dedicadas à doçaria tradicional portuguesa foi convidada para escrever os textos que acompanharam os 24 selos emitidos durante os últimos três anos. 

Escrevo como respiro. Os meus registos sobre cada pedacinho do nosso Portugal Gastronómico são uma forma de ter sempre junto a mim as pessoas, as paisagens, os rios, os falares que fazem a ternura da mesa portuguesa.

Em Tentúgal, tenho o meu chão

Desde o ano de 2001 que dirige a Pastelaria Afonso, marca familiar ligada à doçaria de Tentúgal. É neste âmbito que em 2007 dirige o complexo processo de qualificação do Pastel de Tentúgal IGP enquanto presidente da Associação de Pasteleiros de Tentúgal. É nesse ano que funda com dois amigos a Confraria da Doçaria Conventual de Tentúgal e, em 2012, se candidata à presidência da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas. Dos seus mandatos é realçar a institucionalização do Dia Nacional da Gastronomia Portuguesa e a construção do site tradicional.pt em colaboração com a DGADR.

A doçaria de Tentúgal acompanha-me desde que nasci e tem o sabor a mãe. Por isso, preservo a sua história como uma marca de família que se renova todos os dias nas Pastelarias Afonso.

Viver #semanualdeinstruções

Viver na liberdade da expectativa, no entusiasmo da descoberta, no seguir o rio curva após curva, no pôr-de-sol que se esconde para além do planalto. Viver segundo a emoção. Viver #semanualdeinstruções.

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