Olga Cavaleiro

Passei o Verão a ouvir falar das maçãs ou pêros (porque, na verdade, são umas maçãs pequenas) Malápio. Tinha tanta curiosidade porque me diziam que tinham um cheiro maravilhoso e, se guardadas pelos parapeitos, iriam perfumar a casa toda. Tenho as aqui comigo e estou feliz por estas Malápios. Cheiram tão bem!
Juro que este figo sabe a cereja, não sei qual a variedade, mas gostava de saber. Corre uma lágrima em tons de rosa pelo olhinho e a sua cor deixou-me curiosa. Engraçado é que comi alguns, uns estavam fermentados, outros ainda verdes e outros estavam no ponto ideal de doçura.
O predomínio e popularidade do tema da alimentação criou a tendência da procura dos mitos fundadores em relação às receitas e produtos. Onde, como, quem, porquê e quando parecem criar o argumento que queremos à força que seja visto como a verdadeira história de uma expressão alimentar. Na verdade, a procura de tais mitos fundadores enviesa a nossa procura, faz-nos acreditar que a resposta às nossas perguntas é límpida e consistente e se constrói como uma “história”.
Sou uma Bailarina, a espiga verde desfolhada, linda. O Milho no Baixo Mondego é companhia boa à mesa muito antes do milho estar pronto para a ceifa.
Quando a fome encontra a abundância é sempre um encontro feliz. A fome rejubila pelo fim do jejum forçado e prolongado e sente, na abundância, o sabor a dobrar. Ao invés de pensarmos que a fome não tem sabor, apetece dizer que a fome sabe a tanto de tanto sonhar com os sabores da abundância. Foi no encontro feliz entre a fome e a abundância que descobrimos tantas coisas boas. Inexorável e indestrutível nos seus propósitos, a fome desde sempre exigiu sacrifícios. Nesse tempo sem tempo, algures na história da escassez, a morte do animal era vivida com angústia. Sim, a imensidão da abundância de um animal sacrificado era a alegria da comunidade.
Às vezes ponho-me a pensar como foi possível o mundo europeu ter sido feliz na sua aventura alimentar até ao século XVI. Afinal, somente algures nessa centúria recebemos a dádiva do tomate trazido da América Central pelos navegadores castelhanos. Digo isto porque verdadeiramente gosto muito de tomate e, sinceramente, acho que este fruto faz a diferença na alimentação. Aliás, a avaliar pelas 160 milhões de toneladas de produção mundial (posição cimeira na produção de vegetais) podemos dizer que ocupa um importante papel na cozinha de todo o mundo. Será da cor vermelha ou da textura suculenta e carnuda. Sei lá!
É a cor, o sabor, o cheiro e a história. É o prazer da conversa à volta das ervas.
Quando a batata é tão importante que até se mistura com o mítico e intocável doce de ovos. E é um final feliz de uma refeição perfeita.
Não, isto não é um bolo qualquer. É a famosa Bola Parda e eu tive a sorte de a provar hoje. Feita em Mata Lobos e comida em Almendra com pessoas maravilhosas que nos dão tanto e ficam no nosso coração.
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