Diário

O mundo precisa de dar mais força às organizações intergovernamentais, só assim poderemos continuar a acreditar no equilíbrio do poder. Se é o modelo que está mal, que se reinvente. Se são os líderes que precisam de ter mais carisma, que se perceba isso. Mas que não se deixe morrer o sonho de um mundo melhor preservado dos interesses egoístas de cada país.
Costumam dizer que os portugueses são sempre assim, o povo do mais ou menos, do “está-se bem, mas podia estar melhor”, do assim-assim. Nada disso. Reação a fervilhar de tantas boas ações, de tanta solidariedade, de tantos movimentos positivos. Ordeiro, civilizado, capaz de pensar nos outros para além da sua vontade, o povo português foi valente.
No vaivém de informações e no diz que disse do que vai ser e do que não vai ser fiquei baralhada e acho que só vou voltar a ler jornais no próximo dia 18 de Maio, data possível para a abertura dos restaurantes e pastelarias.
E, em Maio, temos outras coisas a chamar por nós. “Maio as dá, Maio as leva”. Pois, já adivinharam do que estou a falar, de favas. Essa leguminosa que tanto nos conta ao longo da linha do tempo. Provavelmente, uma das primeiras leguminosas a ser domesticada pelo homem.
À mesa somos felizes, não só pelo que comemos, mas também pelo que encontramos nos outros que nos acompanham. Gosto de pensar sobre a cozinha portuguesa como um novelo que se desfia e que vai entroncando com a nossa memória, com aquilo que já vivemos e que nos marcou. Gosto muito de pensar nesse novelo que mãos laboriosas e mágicas souberam entrelaçar.
Hoje agarrei-me à poesia para dar cor ao dia. Estava a fazer-me impressão um céu, nem azul, nem cinzento. Apenas branco. Precisava de sol no meu dia, de cor, do cheiro a mar. Fui, assim, silenciosamente até ao “Caminho da Manhã” de Sofia de Mello Breyner. De imediato senti “a mão pesada do sol pousada” nos meus ombros “conduzida por uma luz levíssima e fresca”. Num arrepio, senti o conforto da luz do sol.
Sinto que as mudanças ainda vão no início e que, mais do que nunca, temos que ter disponibilidade para a mudança de direção. Todos vão ter que fazer o seu caminho. Primeiro com soluções que parecem estranhas, vindas do espaço, mas depois já hábitos que iremos interiorizar. O espaço para a certeza será curto, mas a dúvida será prova de que estamos vivos e a viver este momento de desafio.
Foi uma emoção sentir este #resistir a nascer e perceber que no meio das dúvidas e incertezas, restávamos nós como certezas. Aquela força da palavra que virou ação e que tomou formas múltiplas deu e dá mais força aos nossos dias. Muitos já deram a sua palavra e a sua ação, outros preparam-se para contribuir.
Depois do medo que ameaçou o bem-estar, veio o medo que abalou as nossas certezas. As nossas viagens, os nossos eventos, os nossos negócios, os nossos compromissos, tudo aquilo que nos fazia rodopiar pela vida sem muitas vezes ter tempo para olhar o azul do céu ou ter saudades do mar.
Sinto que, num tempo futuro, teremos saudades destes dias perfeitos e imperfeitos. Destes dias onde a ansiedade se mistura com a tranquilidade do tempo que não tínhamos. É certo que temos mais tempo para pensar ainda que, por vezes, sejamos obrigados a pensar à pressa. Não sei se damos mais valor às coisas e às pessoas. Mas sei que a vida ganhou outro eco dentro da nossa consciência.
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