Em Viagem

Na paisagem do Alto Alentejo surge Sousel, um concelho que se descobre entre as oliveiras e os sobreiros que pontuam o cenário. É a planície onde a luz é quente e o céu é mais azul pelo contraste do branco do casario. O montado e as oliveiras cercam o aglomerado de habituações que se distribuem pelas quatro freguesias deste concelho.
Entre o fresco da água e do verde que domina a paisagem de Sever do Vouga encontramos uma gastronomia rica e diversificada, fruto da presença de produtos tão distintos como os peixes de rio, a vitela, o porco e os frutos vermelhos onde se destaca a produção do mirtilo. O Rio Vouga e seus afluentes, Rio Mau, Rio Lordelo, Rio Teixeira atravessam o concelho e permitem uma vegetação luxuriante e vários locais de aprazível bem-estar.
O Rio Tejo enquadra a vasta planície da Lezíria que se conhece no Concelho de Almeirim. Sente-se ali a geografia tão característica do Ribatejo, onde o verde se espraia no olhar e delimita o pensamento de quem passa e olha os campos agrícolas dominados pela vinha, pela oliveira e pelo cultivo de cereais. É o sol que nos ofusca com tal profusão de brilho num cenário quase isento de altitude. É o Tejo ali tão perto que nos afaga com a sua grandeza.
A produção de maçã assume particular importância e destaque num vasto território situado no Douro Sul, local agreste onde a terra parece ter sido substituída pela penedia cinzenta deixando pouco espaço para o cultivo. Aquilino Ribeiro fala de “Terras do Demo”, território inóspito onde “nem Cristo” “nem El-Rei” passaram fazendo dele local onde o esquecimento encontra lugar.
Desde 2002, data da fundação desta Confraria da Beira Alta, que os confrades desenvolvem uma importante atividade em defesa da gastronomia beirã. Como os próprios referem, “a nossa confraria não defende um produto específico, mas sim um todo que abrange a gastronomia beirã, a enofilia da região e os saberes culturais do seu povo”.
Pelas delicadas mãos das religiosas do Mosteiro de Jesus de Aveiro nasceu, há cerca de cinco séculos atrás, um dos ícones da doçaria conventual portuguesa: os ovos-moles de Aveiro. Pelo que se conhece da história, pressupõe-se que a junção do doce de ovos à folha de hóstia acontece numa fase posterior, talvez por iniciativa de alguma religiosa com vontade de o tornar mais manuseável.
Falar dos Açores é lembrar uma miríade de sabores, aromas e texturas presentes em vários produtos que pela sua singularidade e ligação ao território exibem a designação DOP ou IGP como o célebre ananás, o maracujá, a saborosa carne bovina, o distinto mel e os famosos queijos do Pico e de São Jorge. A estes juntam-se os produtos provenientes do Oceano Atlântico Norte: como as amêijoas de São Jorge, as cracas, as lapas e cavaco que permitem uma gastronomia muito diversa.
A tradição da produção de vinho nesta freguesia das Terras de Sicó tem origem no tempo em que os romanos investiam na Península Ibérica como território preferencial para a produção do importante e precioso sangue de Baco. Em cada bocado de terra era ensaiada a produção de vinho que depois servia para celebrar o deus do vinho, tão importante na hierarquia da mitologia romana.
A Serra da Estrela, cenário de tão amplos sabores, é há muito um destino turístico reverenciado por portugueses e estrangeiros que ali, na altura em que se encontra coberta pela neve, descobrem o acolhimento da paisagem serrana. No entanto, a Serra da Estrela não se confina à paisagem branca e luminosa do Inverno em que a neve cobre os seus cumes e recantos e a torna próxima do céu.
Visitar a raia Sabugalense é ir ao encontro de um território do nosso Portugal onde todas as tradições bebem das condições geográficas locais. Entre o Castelo do Sabugal, também designado como Castelo das Cinco Quinas devido ao formato da sua torre de menagem, e a vila histórica de Sortelha abundam pontos de interesse histórico que fazem do Concelho do Sabugal merecedor de uma demorada visita.
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