Em Viagem

Penafiel, Amarante, Castelo de Paiva, Felgueiras, Lousada, Marco de Canavezes, Paços de Ferreira e Paredes representam oito concelhos do Entre Douro e Minho onde essa força humana se sente, onde a natureza, mais do que adversária, foi parceira na conquista do desenvolvimento e de bem-estar. Cada um à sua maneira, com a sua própria idiossincrasia soube usar o cenário natural para a constituição de cidades desenvolvidas onde o progresso é visível e compatível com a preservação do património histórico e arquitetónico.
A lezíria apaixona quem lá vive e quem lá passa. A luz que realça os campos férteis do Tejo dá mais vida ao Ribatejo, região plena de tradições ligadas à vida rural. O Rio Tejo é o alimento de uma planície onde as sementeiras e as plantações dão a vocação agrícola ao lugar e o sol é ali majestoso, de uma luminosidade extrema que aviva as cores de tudo o que desponta por aquele lugar. Não se explica, apenas se sente esta luz que domina o Tejo e os caminhos que ele percorre.
A Montanha adquire outro significado quando viajamos até ao concelho de Pampilhosa da Serra. Aí, sentimos a vertigem da altitude deste terreno acidentado da Cordilheira Central, mas também o alívio da paisagem deslumbrante marcada por declives acentuados que, frequentemente, desembocam nos percursos de água dos Rios Zêzere, Ceira ou Unhais. É o clima nos seus extremos que nos queima a respiração no Estio e nos enregela no Inverno.
Em Terras de Santa Maria, do tributo, do pagamento do foro ao “Senhor da Terra” nasce a fogaça. Na fechada e estratificada sociedade medieval, a fogaça era o pão doce que integrava o rol de produtos destinados a pagar o uso da terra e a proteção. Entre tudo o que a terra dava era importante oferecer o resultado da transformação do trigo em farinha à qual eram adicionados os necessários ingredientes para obter o pão doce, o pão que só se comia em dias de festa.
No fim-se-semana, imediatamente, a seguir ao dia de São Sebastião, dia 20 de Janeiro, dá-se, usualmente, a tradição em Soza de receber as papas (levando cada um dos devotos uma taça e uma colher para o efeito) no encerramento da novena dedicada ao Santo Mártir. Após nove dias de oração, e em tempo de Inverno cerrado é altura de “forrar o estômago” e aquecer o corpo com as papas de abóbora servidas quentes.
No imenso planalto das Mesas, avista-se distintamente Almeida a poucos quilómetros da fronteira com Espanha. Habituados à paisagem, o olhar agita-se à medida que o horizonte desenha a entrada para aquela vila da raia. Imediatamente, somos transportados para tempos idos e percebemos como a necessidade da estratégia defensiva transformou aquele lugar numa das mais bonitas muralhas portuguesas.
Narciso Lopes, nascido e criado em terras agrestes do Douro onde o Inverno mata de frio e o Verão sufoca de calor, recorda os tempos assaz difíceis em que se descia o Douro nos barcos Rabelo para levar o vinho fino para que, nas Caves de Gaia, fosse armazenado e comercializado para tantos países. Na volta, os bacos carregavam o sal, o bacalhau, a massa, o arroz, as sardinhas sem cabeça em sal, o polvo seco que eram depois vendidos às populações do Alto Douro.
Matosinhos descobre-se em frente ao mar, nas areias das praias que tantos visitam e passeiam em busca de tranquilidade, nas águas onde, não só se descobre o banho retemperador, mas também onde se vai buscar o alimento, a energia para a labuta do quotidiano.
Os azulejos que cobrem as paredes de muitas casas do centro da cidade de Ovar fazem desta cidade um verdadeiro museu ao ar livre deste elemento cerâmico utilizado para proteção das habitações, mas mais tarde revelado como objeto decorativo. No deambular pela cidade, de visita ou no encontro com a cidade, o forasteiro é surpreendido pela diversidade, equilíbrio e simbiose cromática dos azulejos que se tornaram imagem de marca da cidade de Ovar.
A montanha secreta descobre-se pela paisagem, pelas tradições, pelo património cultural e histórico, mas essa descoberta intensifica-se quando se aprende a saborear uma gastronomia em companhia com as boas e acolhedoras gentes do Caramulo. Vale a pena descobrir o Caramulo!
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